Seguiremos por trilhas rabiscadas em busca de um horizonte colorido e suave como aquarela. Às vezes o vento soprará contra bagunçando os nossos cabelos mas trará também o cheiro das rosas. O brilho dos seus olhos será lembrado em noites estreladas assim como o céu violeta me lembra algo bom perdido no tempo, gravado num espaço infinito como uma canção eternizada que fala de saudade.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Depois da Chuva
Seguiremos por trilhas rabiscadas em busca de um horizonte colorido e suave como aquarela. Às vezes o vento soprará contra bagunçando os nossos cabelos mas trará também o cheiro das rosas. O brilho dos seus olhos será lembrado em noites estreladas assim como o céu violeta me lembra algo bom perdido no tempo, gravado num espaço infinito como uma canção eternizada que fala de saudade.
domingo, 3 de janeiro de 2010
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
O céu é o lugar dos poetas
Manuel Bandeira.
Não sei por que, mas hoje quis contemplar o céu estrelado. Um céu como o de todas as noites, com Lua e coberto de estrelas. Mas ele me atrai de maneira inexplicável, como um velho amigo querendo me contar um segredo, porém aumentando o suspense para me deixar curiosa.
De repente vejo sem esforço: há uma bela Lua na noite. O mais incrível é que sua prata está um tanto embaçada por uma nuvem vaporosa, que existe apenas porque atrapalha um pouco o esplendor da luz. Que visão magnífica! Parece que a Lua, transformada em pérola, está afogada num mar em pleno céu, esperando que algum aventureiro vá resgatá-la para permitir a ela exibir todo o seu brilho para a platéia de seres humanos para quem agora é noite.
Engraçado é que de alguma forma sinto que poderia fazer esse resgate, mesmo não podendo fisicamente voar para o céu e agarrar a Lua e lutar contra aquela nuvem. As palavras e imagens me vêm à cabeça num turbilhão. Aquela Lua presa naquela gaze feita camisa-de-força podia ser tudo e podia ser nada, podia também ser apenas uma Lua atrás de uma nuvem.
Estou me sentindo uma argonauta, e então vejo: foi aquela mesma Lua, aquela mesma nuvem, que um dia inspiraram Olavo Bilac, Cruz e Sousa e tantos outros. Todos eles tinham seguido esse caminho um dia, como um destino. Posso vê-los ali, naquela Lua e naquela nuvem, tendo as estrelas como cordiais irmãs, de brilho e de proximidade.
Entre eles vejo o meu amigo poeta, e isso me dá vontade de rir. Esse meu estado fora do normal só pode ser obra dele, de tanto ele me injetar poesia. O que me admira é ele continuar fazendo isso depois de morto. (Decerto que não pelas palavras dele, pois não voltei a lê-lo depois que morreu...) Vai ver porque ele era muito bom poeta, e melhor ainda ser humano. Por tudo isso, não quero deletá-lo nem da minha mente, nem do meu coração. Que o nome querido dele não me soe como os outros, como diria Manuel Bandeira, outro que vejo na Lua e na nuvem. Se isso acontecer algum dia, acho que terei perdido aquela Lua e aquela nuvem. Terei perdido algo de grande valor.
- Bem, gente - finalizou Isabela, após terminar de ler esse seu depoimento para o público da oficina literária da qual estava participando havia apenas dois dias. - ,tentei aí descrever e narrar esse momento, mas ao mesmo tempo que fosse de uma forma instigante, que você terminasse de ler e se sentisse enlevado, surpreendido, provocado ou até perguntasse "O que é isso?" e fosse dormir com essa interrogação na cabeça. Queria, por exemplo, saber manejar palavras complexas em frases lindíssimas, como Cruz e Sousa e Carlos Drummond de Andrade, sabe, extraindo coisas das palavras mais simples que ninguém nunca viu antes. Não tenho a menor idéia se consegui algum desses meus objetivos, ou se estou aqui fazendo papel de palhaça, me julgando escritora ou poetisa, e no fim vocês já viram isso da mesma forma, em milhares de poetas diferentes, pois o que não falta nesse mundo é poeta e escritor, ou gente que se intitula assim. Nem o tema é original...
Fim.
Data: 7 de novembro de 2009.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Quinta estação

isolado da alma
afoga razão
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Saída
da saudade
momentos de amor...
de ter a quem amar.
Estranho
é ser
tão só sozinho...
pode sufocar.
Gente que é gente
precisa de amor...
não dor,
saída
Paraíso
O paraíso, sabe-se lá onde fica!
Mas de uma coisa tenho certeza, construímos o paraíso ao longo da vida.
O paraíso se monta com todos os momentos bons.
Daqueles em que falta ar de tanta emoção...
Daqueles onde os olhos se enchem de água por felicidade...
Daqueles em que ficamos frouxos de tanto rir...
Agora?
Em meu paraíso mais um ano se passa e você habita nele.
Hoje?
Espero contribuir com o seu paraíso, e quando for partir o leve na bagagem.
Ao partir não se vai para o vazio, mudamos para o paraíso.
No paraíso não se fica só.
Postado por: Fábio Antonio Filipini
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
Piano e coração (Cruz e Sousa)
Ó melodias do coração, ó harmonias do piano.
Chopin, Gounod, Métra, Strauss, Beethoven, Gottschalk, constelação gloriosa de boêmios de ouro!...
Quando o piano musicaliza, caracteriza, espiritualiza as longas escalas cromáticas, os adoráveis "allegros", os interessantes "pizzicatos", quem fala primeiro que os cérebros artísticos, é o coração.
Ele canta mais que todos os órgãos humanos.
O coração é o pulso do cérebro artístico.
Pela temperatura e o grau de sentimento de um, o músico estabelece a proporção do outro.
Um dirige, outro executa.
Um tem a fórmula, outro funciona.
Um é o oxigênio, outro o carvão.
Um faz o relâmpago, outro produz o raio.
Coração e cérebro aliam-se, homogeneizam-se.
Assim o piano, eternamente assim.
O coração é a luta, as grandes tempestades desoladoras, varadas de cóleras surdas de vendavais gargalhantes e intérminos, de frios que estortegam, enregelando as noites soturnas das trevas compridas e absolutas; o coração é a maciosidade dos linhos, a candidez consoladora dos luares estrelados, a fluidez elétrica dos perfumes excitantes, as expansivíssimas alegrias, castamente sonoras e sonoramente castas.
O coração ruge e vibra.
Assim o piano.
Cada palpitação do piano, é uma fibra do coração, que bate.
Tem os mesmos triunfos, os mesmos humorismos fúnebres, as mesmas impotências e coruscações, o piano.
Chora e canta, ri e soluça.
Quanta vez o artista não canta, não ri e chora e soluça com o piano.
Dizei à sensibilidade que emudeça.
À sombra que se subdivida, partícula por partícula, pela própria sombra.
O piano, como o coração, representa um ser complexo, com os elementos necessários, com os nervos, com os músculos de vitalidade dispostos, preparados, desenvolvidos, de forma a infiltrar nos demais seres, a seiva psíquica, a sangüinidade simpática da arte.
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Esta foi em homenagem à Rita, pela crônica "Música".
Data: 12/12/09.
Abismo
Não posso mover meus passos por este atroz.
Não posso mover meus passos por este.
Não posso mover meus passos por.
Não posso mover meus passos.
Não posso mover meus.
Não posso mover.
Não posso.
Não.
Não posso.
Não posso mover.
Não posso mover meus.
Não posso mover meus passos.
Não posso mover meus passos por.
Não posso mover meus passos por este.
Não posso mover meus passos por este atroz.
Não posso mover meus passos por este atroz labirinto.
"Não posso mover meus passos por este atroz labirinto": frase de Cecília Meireles, em "O Romanceiro da Inconfidência".
Data: 18 de novembro de 2009.
Conforme eu tinha dito no encontro, me inspirei numa letra do Caetano Veloso e Gilberto Gil em que eles faziam exatamente esse jogo com as palavras. Eis a letra:
Batmacumba
batmacumbaieiê batmacumbaobá
batmacumbaieiê batmacumbao
batmacumbaieiê batmacumba
batmacumbaieiê batmacum
batmacumbaieiê batman
batmacumbaieiê bat
batmacumbaieiê ba
batmacumbaieiê
batmacumbaie
batmacumba
batmacum
batman
bat
ba
bat
batman
batmacum
batmacumba
batmacumbaie
batmacumbaieiê
batmacumbaieiê ba
batmacumbaieiê bat
batmacumbaieiê batman
batmacumbaieiê batmacum
batmacumbaieiê batmacumba
batmacumbaieiê batmacumbao
batmacumbaieiê batmacumbaobá
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Labirinto
Nome querido
Inspirado na frase de Manuel Bandeira:
"Que o nome querido já nos soa como os outros."
Hoje?
Está lá.
Pensará ter perdido
Teu sorriso escondido.
Aqui?
O tempo castiga-me.
Você?
Esquece-me.
Então, um dia
Não sei quando, espero
Que o nome querido
já nos soe como os outros.
sábado, 21 de novembro de 2009
Assim como boas meninas obedecem aos pais
Para onde vão
Não importa
Lentamente desaparecem
Até que o nome querido soe como os outros
Até que a face desconhecida habite o espelho
E como a lembrança de um sonho bom
Têm seu fim no esquecimento.
"Que o nome querido já nos soa como os outros" (Manuel Bandeira)
domingo, 8 de novembro de 2009
A IDOSA
Do apartamento no terceiro andar a senhora de cabelos brancos observa pela janela do quarto as pessoas passando na rua. Com um corpo decrépito, roupas cheirando naftalina e rosto enrugado, seus olhos fundos e fracos seguem os passos de quem se aventura a viver.
Sua quase imobilidade e seu olhar perdido podem durar horas que não serão notados. A respiração deixa o vidro um pouco embaçado, mas ela não se importa. Há muito tempo sua vida não tem mais qualquer sentido.
Faz frio, porém mesmo que estivesse quente ela não sairia de casa. O agravamento da velhice lhe limita os movimentos e caminhar é muito penoso. Há anos a envelhecida mulher não sai do pequeno apartamento e daquele quarto. A última vez foi no enterro de uma das quatro irmãs.
O corpo reconhece a fatalidade do envelhecimento, no entanto, não se entrega. Na monotonia da sua vida, o que lhe dilacera a alma é a solidão. Sem filhos, sem amigos, sem parentes. Aos 98 anos a anciã magra e de cabelos ralos não tem com quem conversar. Além disso, ninguém dá atenção a uma pessoa que houve pouco e demora muito para pronunciar qualquer frase. Sua limitação física dificulta qualquer contato com o mundo e com as pessoas.
Está sempre isolada e sozinha. Não consegue acompanhar a programação da televisão. Novelas, não entende, filmes menos ainda. Os noticiários são extremamente rápidos e sua mente cansada já não acompanha a realidade. Mal sabe escrever o nome, quanto mais ler. Só lhe resta ver os outros passando na rua pela triste e solitária janela.
Algumas vezes chegou a acenar para uma pessoa ou outra que a notavam na vidraça, mas todas viravam o rosto e seguiam seus caminhos. O isolamento aumenta quando chove, já que nesses dias há menos gente na rua.
A solidão lhe consome. Às vezes pensa que vai enlouquecer. Chega a ver pessoas que fizeram parte da sua vida transitando pela calçada, mas logo se dá conta que é imaginação.
Uma ocasião estava certa que uma mulher de vestido azul era uma antiga vizinha, chegou até a prender a respiração de surpresa e por alguns instantes imaginou como seria encontrar alguém conhecido. Contudo, a mulher se foi e a idosa voltou à rotina de apenas olhar os outros indo e vindo.
Da sua vida só lhe resta olhar pela janela e aceitar a monotonia da sua existência, de onde só a morte a resgatará da devastadora solidão.
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(Donna con Ventaglio - Gustav Klimt)
MULHER Movimento Formas sedutoras Geométrico Mozaico Sensualidade e leveza Olhar majestoso e sedutor Tranquilidade imponente A natureza se aperfeiçoa na mulher
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Majestosa K 626
O prodigioso gênio envelhece e se aprimora
Nasce sua última sinfonia
Canta nobreza da morte
Em majestosa harmonia
As cordas evocam
Sublime beleza
Unindo instrumentos e vozes
Em perfeita melodia
O talentoso autor
Ao fechar dos olhos
Enaltece o Criador
E se rende à Sua Glória
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